Gestão de Riscos em 2026: Por Que a Incerteza Virou Variável Estratégica

O ambiente corporativo global atravessa um dos períodos mais complexos das últimas décadas. O que antes eram riscos pontuais, localizados ou setoriais, hoje se manifestam de forma sistêmica e interligada. Tecnologia, geopolítica, regulação, capital humano e continuidade dos negócios estão profundamente conectados – e ignorar essa interdependência é, em si, um dos maiores riscos.

De acordo com o relatório “Risk in Focus 2026 – Global Summary”, produzido pela Internal Audit Foundation e baseado em respostas de mais de 4.073 líderes de auditoria interna em 131 países (incluindo forte participação da América Latina, com 21% das respostas), o risco deixou de ser um evento eventual para se tornar uma condição permanente das operações. Nesse cenário, a diferença entre empresas resilientes e vulneráveis não está em prever o futuro, mas em estruturar decisões robustas diante da incerteza.

Principais Riscos Globais e Regionais em 2026

O relatório destaca que, embora a cibersegurança permaneça o risco mais citado globalmente (73% dos respondentes a classificam como Top 5), seus impactos vão além do tecnológico. Um incidente cibernético pode desencadear descumprimento contratual, sanções regulatórias, interrupção operacional, perda de receita, danos reputacionais e até responsabilização de executivos.

Os dois riscos com maior aumento ano a ano foram:

  • Disrupção digital (incluindo IA): Aumento de 9 pontos percentuais globalmente, impulsionado por regiões como América Latina (+17 pp), Oriente Médio (+12 pp) e África (+10 pp). Na América Latina, isso reflete a adoção acelerada de tecnologias sem governança adequada (Exhibit 4.14).
  • Incerteza geopolítica: Aumento de até 19 pp em regiões como América do Norte, influenciado por mudanças em políticas comerciais (ex.: tarifas anunciadas pela administração Trump em 2025). Na América Latina, 45% dos líderes citam isso como Top 5 risco, empatado com Europa e América do Norte (Exhibit 1.1).

Outros riscos destacados incluem:

  • Resiliência dos negócios (média global: 48%).
  • Capital humano (queda global, mas alto na Ásia-Pacífico, com 56%).
  • Mudanças regulatórias, intimamente ligadas à geopolítica.

Na América Latina, especificamente, o relatório aponta um desalinhamento: enquanto riscos como disrupção digital e geopolítica disparam, as prioridades de auditoria interna ainda focam em cibersegurança (69%) e governança (53%), mas com aumento de esforço em disrupção digital (+7 pp globalmente, Exhibit 2.2).

O Desalinhamento Entre Risco Percebido e Resposta Prática

Muitas organizações reconhecem suas exposições, mas não as convertem em ações estratégicas efetivas. Registrar o risco não é gerenciá-lo. O relatório enfatiza que prioridades de auditoria interna estão alinhadas aos riscos em áreas como cibersegurança, mas há gaps em geopolítica e cadeia de suprimentos (Exhibit 2.3).

Comentário Técnico

“Um ponto crítico na leitura dos riscos globais para 2026 é a falsa separação entre risco operacional, tecnológico e estratégico. Na prática, esses riscos já se manifestam de forma integrada.
Por exemplo, um incidente cibernético – citado por 73% globalmente como Top 5 (Exhibit 1.1) – não é apenas um evento de TI: ele pode gerar descumprimento contratual, impacto regulatório, perda de receita, questionamentos de governança e até responsabilização pessoal de administradores.
Na Tailor Insurance, observamos que muitas empresas tratam o seguro como etapa final, quando ele deve ser desenhado paralelamente à estratégia de crescimento. Um caso real que assessoramos envolveu uma empresa latino-americana exposta a disrupção digital: implementamos coberturas que não só indenizaram perdas, mas sustentaram decisões de expansão, reduzindo exposições em 25%.”

Rodrigo Barros
CEO & Founder Tailor Insurance

Seguro como Instrumento de Governança e Decisão Estratégica

Na Tailor Insurance, entendemos que seguro não é produto isolado nem commodity. Ele é um instrumento de governança, proteção patrimonial e sustentação estratégica. Um seguro mal estruturado gera falsa sensação de segurança; um seguro bem estruturado protege o negócio, sustenta decisões e reduz exposições pessoais de administradores e executivos. Nossa abordagem inclui:

  • Leitura técnica profunda do modelo de negócio.
  • Identificação de exposições reais, alinhadas a riscos como os do relatório.
  • Estruturação de coberturas personalizadas.
  • Acompanhamento contínuo da evolução das operações.

Crescer em 2026 exige mais do que reagir. Crescer sem gestão de riscos estruturada é apostar na sorte – e sorte não é estratégia. Empresas maduras entendem que risco precisa ser identificado, mensurado, governado e, quando adequado, transferido. Uma gestão de riscos bem feita não trava o negócio; ela viabiliza crescimento com previsibilidade, segurança e sustentabilidade.

Qual risco mais impacta sua empresa em 2026?  Para uma análise personalizada de riscos e soluções de seguro, entre em contato conosco.

Artigo por:

Rodrigo Barros

CEO & Founder - Tailor Insurance